OS LIVROS QUE “CAMINHAM”

Atualizado: 1 de jun. de 2021

Em 2014 escrevi o livro “Para que (m) serve o Direito Penal? Uma análise criminológica da seletividade dos segmentos de controle social” (Editora Lumen Juris).


Alguns exemplares foram oferecidos para pessoas que contribuíram com o trabalho, para colegas que gostaríamos tomassem conhecimento dos ideais ali propostos e outros doados para alunos, enfim, seguiram seus caminhos.


Semana passada, quando entro na cozinha do Escritório Modelo de Advocacia da Univali, em Itajaí, observo um exemplar dele sobre uma cafeteira, com algumas anotações em seu interior, em uma folha avulsa. Surpreso com o que vi, pedi à zeladora de quem era aquele livro, quando me disse ser dela. Perguntei como ela tinha conseguido o exemplar. Relatou-me que alguém doou para a igreja que frequenta e ela, por acaso, acabou por pegá-lo, sem muita pretensão de leitura.


Disse a ela que eu era um dos autores, quando percebi sua surpresa. Solicitei fazer uma troca do livro, por outro de seu interesse. Me disse sim, poderia trocar e assim nos despedimos. Semana seguinte (hoje), fui até ela e a lembrei do livro, perguntando se faria a troca comigo, no que consentiu, comentando: “Difícil entender ele né? Comecei a ler, mas não entendi muito”. Disse a ela que era um livro técnico, destinado a um público específico e que havia trazido um livro que talvez lhe fosse mais interessante.


Fizemos a troca!


O livro, depois de escrito, adquire independência, circula por mãos diversas, enfrenta humores bons e maus, são riscados, cuidados, amados, odiados.... e lidos.


É para isso que são feitos, para serem lidos. E esse exemplar não estava cumprindo com sua missão; servia como um “bloco de anotação”, desviando-se do sentido que lhe fez nascer.


Agora, resgatado, retornará às mãos de leitores!


* Texto escrito no ano de 2018.

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